24.8.07
Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher
Diz que está me esperando pro jantar
E me beija com a boca de café
Todo dia eu só penso em poder parar
Meio-dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão
Seis da tarde como era de se esperar
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão
Toda noite ela diz pra eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pra eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor
Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
[Francisco Buarque de Holanda]
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher
Diz que está me esperando pro jantar
E me beija com a boca de café
Todo dia eu só penso em poder parar
Meio-dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão
Seis da tarde como era de se esperar
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão
Toda noite ela diz pra eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pra eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor
Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
[Francisco Buarque de Holanda]
Quando eu chego em casa nada me consola, você está sempre aflita
Lágrimas nos olhos de cortar cebola, você é tão bonita
Você traz a coca-cola, eu tomo
Você bota a mesa, eu como, eu como, eu como, eu como, eu como
Você não tá entendendo quase nada do que eu digo
Eu quero é ir-me embora, eu quero dar o fora
E quero que você venha comigo
Eu me sento, eu fumo, eu como, eu não agüento, você está tão curtida
Eu quero é tocar fogo neste apartamento, você não acredita
Traz meu café com suita, eu tomo
Bota a sobremesa, eu como, eu como, eu como, eu como, eu como
Você tem que saber que eu quero é correr mundo, correr perigo
Eu quero é ir-me embora, eu quero é dar o fora
E quero que você venha comigo
[Caetano Veloso]
Lágrimas nos olhos de cortar cebola, você é tão bonita
Você traz a coca-cola, eu tomo
Você bota a mesa, eu como, eu como, eu como, eu como, eu como
Você não tá entendendo quase nada do que eu digo
Eu quero é ir-me embora, eu quero dar o fora
E quero que você venha comigo
Eu me sento, eu fumo, eu como, eu não agüento, você está tão curtida
Eu quero é tocar fogo neste apartamento, você não acredita
Traz meu café com suita, eu tomo
Bota a sobremesa, eu como, eu como, eu como, eu como, eu como
Você tem que saber que eu quero é correr mundo, correr perigo
Eu quero é ir-me embora, eu quero é dar o fora
E quero que você venha comigo
[Caetano Veloso]
a direcção do sangue
A direcção do sangue
Quando se viaja sozinho
pelas imagens que perduram
as evocações ganham um modo tão real
A mancha ténue dos arbustos
indica o caminho para o regresso
que nunca há
o mar ficou de repente perto
sobre esta praia travámos lutas
para as quais só muito depois
encontramos um motivo
era à pedrada que nos defendíamos
do riso mais inocente
ou de um amor
Mas aquilo que nunca esquecemos
deixa de pertencer-nos e nem notamos
Estamos sós com a noite
para salvar um coração
[José Tolentino Mendonça]
Quando se viaja sozinho
pelas imagens que perduram
as evocações ganham um modo tão real
A mancha ténue dos arbustos
indica o caminho para o regresso
que nunca há
o mar ficou de repente perto
sobre esta praia travámos lutas
para as quais só muito depois
encontramos um motivo
era à pedrada que nos defendíamos
do riso mais inocente
ou de um amor
Mas aquilo que nunca esquecemos
deixa de pertencer-nos e nem notamos
Estamos sós com a noite
para salvar um coração
[José Tolentino Mendonça]
cigarettes & alcohol
amigo de infância
cigarettes & alcohol
Home...hard to know what it is if you never had one
Home...I can't say where it is but I know I'm going home
That's where the heart is
Home...I can't say where it is but I know I'm going home
That's where the heart is
cigarettes & alcohol
What you got they can't deny it
Can't sell it or buy it
Walk on, walk on
Can't sell it or buy it
Walk on, walk on
cigarettes & alcohol
What you got, they can't steal it
No they can't even feel it
No they can't even feel it
cigarettes & alcohol
And love is not the easy thing
The only baggage you can bring...
And love is not the easy thing...
The only baggage you can bring
Is all that you can't leave behind
The only baggage you can bring...
And love is not the easy thing...
The only baggage you can bring
Is all that you can't leave behind
cigarettes & alcohol
para lembrar.
23.8.07
saudosismo
[Caetano Veloso, Alegria, Alegria]
dawn will break across the sky
A madrugada já rompeu
Você vai me abandonar
Eu sinto que o perdão
Você não mereceu
Eu quis a ilusão
Agora a dor sou eu
Pobre de quem não entendeu
Que a beleza de amar
É se dar
E só querendo pedir
Nunca soube o que é perder
Para encontrar
Eu sei que é preciso perdoar
Foi você quem me ensinou
Que um homem como eu
Que tem por quem chorar
Só sabe o que é sofrer
Se o pranto se acabar
[Cesária Évora, Caetano Veloso, Ryuichi Sakamoto, É Preciso Perdoar, Red Hot + Rio]
Você vai me abandonar
Eu sinto que o perdão
Você não mereceu
Eu quis a ilusão
Agora a dor sou eu
Pobre de quem não entendeu
Que a beleza de amar
É se dar
E só querendo pedir
Nunca soube o que é perder
Para encontrar
Eu sei que é preciso perdoar
Foi você quem me ensinou
Que um homem como eu
Que tem por quem chorar
Só sabe o que é sofrer
Se o pranto se acabar
[Cesária Évora, Caetano Veloso, Ryuichi Sakamoto, É Preciso Perdoar, Red Hot + Rio]
22.8.07
sageza

não saber nunca que se falha sempre.
não podendo eu dizer-te
,em boca,
não podendo dizer-te
das falhas da filosofia
e dos rumores da ciência
,não podendo dizer-te (desejo)
do silêncio que rasga e
me entra pelas frestas
ao crepúsculo,
não podendo dizer-te dos teus dedos
nos teus dedos
,os teus dedos
digo-te, dos intervalos das horas,
o quanto me sacia regressar a esta casa velha
e ouvir, no indizível, entre os nomes
,o teu nome
(supunhas tu fazer do lume alimento)
repetido:
nos escombros sobre cadáveres antigos
o teu nome
(dele faço alimento)
,em boca,
não podendo dizer-te
das falhas da filosofia
e dos rumores da ciência
,não podendo dizer-te (desejo)
do silêncio que rasga e
me entra pelas frestas
ao crepúsculo,
não podendo dizer-te dos teus dedos
nos teus dedos
,os teus dedos
digo-te, dos intervalos das horas,
o quanto me sacia regressar a esta casa velha
e ouvir, no indizível, entre os nomes
,o teu nome
(supunhas tu fazer do lume alimento)
repetido:
nos escombros sobre cadáveres antigos
o teu nome
(dele faço alimento)